sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Variações do medo na etnia humana


A covardia produz diversos tipos de indivíduos. Todos seqüelados, claro, mas não necessariamente da mesma espécie.
Há o covarde evidente, aquele a quem você identifica durante a primeira troca de frases. Este, ao menos é, de certa forma, honesto. Há o covarde heróico, que faz de tudo para ocultar sua deficiência de caráter em prol de outras prioridades, como a vida social, por exemplo. Há o covarde festivo, simpático, até. Diverte-se com sua condição e faz disso motivo para riso, conseguindo, assim, ser aceito pelo grupo de modo geral.
E há o pior de todos: o covarde corajoso. Este, sim, desprezível. É pernicioso, pois na ânsia de parecer audaz, ilude, promete, mente. Não tenho certeza que não acredite, ele mesmo, em suas ‘qualidades’ propaladas, e as faz tão reais que você é capaz de abraçar suas causas. Este tipo fala bem, é convincente, tão sólido que ao ouvi-lo você é capaz de uma espécie de conversão instantânea. O covarde corajoso se torna sua religião, seu motivo de transe. Não há nada que ele peça que você não faça, não há nada que ele diga que você não abone, não há nada que você não esteja disposto a fazer por ele. Você é capaz até mesmo de sentir-se um ser miserável, assumindo culpas e sofrendo por elas, só para poupá-lo de aborrecimentos. Até que chega o momento de uma ação verdadeira. O momento em que é preciso polir a armadura, em que um ato de coragem se faz necessário. Bem, aí não conte com ele. Você olhará para o lado e só encontrará as convicções que acompanhavam sua devoção, já um pouco murchas, sem cor. Como um avestruz assombrado pelo medo das próprias mentiras, ele esconderá a cabeça num grande e nebuloso buraco. Que por lá permaneça.

8 comentários:

regis disse...
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regis disse...

..."viva em meus sonhos, pois neles eu serei um príncipe, um anjo...quiçá um Deus. Só não acorde milady, pois não sois digna de um bufão".

Gostei do avestruz..

Beto Canales disse...

Ola. Muiro enriquecedor teu blog.

Parabéns.

Luiz disse...

Acho que eu tenho outa espécie de covarde: o covarde no poder.
Esse é um verme que se alimenta de detritos, apesar de tentar sempre manter uma aura de respeitabilidade.

Bjs.

MELISSA disse...
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MELISSA disse...

Tirando fotos da natureza humana novamente... hein hein hein ...
Pena que essas fotos revelam almas ainda tão mundanas...quando poderiam ser tao melhores.
Que lente!

;D
mel

Rodrigo Souza disse...

Hmmm... agora você me fez parar para me catalogar.

Bilhetes só de ida contam pontos, né?

Dalmo Barros Silva disse...
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